Pesquisa conduzida por Cleber Lopes (UEL/LEGS) e Caio Cardoso de Moraes (UFMG/LEGS) mostra que o apoio à segurança privada em sociedades latino-americanas marcadas pela desigualdade não pode ser explicado apenas pelo medo do crime ou pela ineficiência do Estado, mas também pela rejeição a grupos sociais subalternos e por valores excludentes.
O estudo, publicado no The British Journal of Criminology, analisou as percepções de mais de 14 mil pessoas em nove países da América Latina. Entre os principais achados:
- Quanto maior o preconceito contra grupos minoritários, maior a probabilidade de apoio à segurança privada;
- Pessoas que rejeitam pobres e indígenas como vizinhos têm cerca de 39% mais chances de apoiar o uso de segurança privada;
- No Brasil, o apoio ao setor está fortemente associado à rejeição a pessoas negras e à identificação com valores políticos conservadores.
“O apoio à segurança privada precisa ser entendido também como expressão de valores sociais preconceituosos e excludentes”, destacam os pesquisadores.
A análise foi divulgada na newsletter Fonte Segura, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e alerta que a expansão da segurança privada pode reproduzir desigualdades sociais e gerar riscos à democracia, caso não seja acompanhada de regulação e controle eficazes pelo Estado.
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