A edição de 26 de novembro da newsletter Múltiplas Vozes, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), destacou uma reflexão crucial para o cenário político contemporâneo: a insegurança pública tornou-se um dos fatores centrais da erosão democrática no Brasil.
Segundo os autores Cleber Lopes (Departamento de Ciências Sociais, UEL) e Caio Cardoso de Moraes (Doutorando em Ciência Política na UFMG), a crescente preocupação da população com a violência — que alcançou 38% como principal tema de preocupação social em novembro de 2025, segundo pesquisa Quaest — tem repercussões profundas no ambiente democrático. Episódios de grande repercussão, como a operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 122 mortes, ampliam a saliência do tema, mobilizando o debate político e gerando tensões entre diferentes setores do Legislativo.
A literatura recente em ciência política reforça esse alerta. Estudos internacionais, como o de Chu e colegas, apontam que cidadãos, quando expostos a cenários de insegurança, tendem a admitir trocas perigosas entre segurança e pilares democráticos, como liberdades individuais, eleições livres e mecanismos de controle institucional. A democracia permanece valorizada, mas torna-se vulnerável quando o crime e a violência ocupam o centro das preocupações sociais.
Pesquisas aplicadas ao contexto latino-americano seguem na mesma direção. Análises realizadas por Gabriela Ribeiro Cardoso e Julian Borba mostram que viver em países com altas taxas de homicídios — como o Brasil — intensifica os efeitos negativos da vitimização e do medo do crime sobre a confiança institucional e o apoio à democracia.
Os autores destacam que, diante desse cenário, as forças democráticas precisam incorporar a segurança pública como tema estratégico, não apenas por sua importância para o bem-estar da população, mas como elemento indispensável para a preservação do regime democrático.
O artigo completo, “Violência criminal e erosão democrática: por que as forças democráticas deveriam se preocupar com a segurança pública”, pode ser lido na edição de 26 de novembro da newsletter Múltiplas Vozes (FBSP).