Autor: Cleber da Silva Lopes

  • Justiça procedimental e policiamento: legitimidade, escuta e respeito na ação policial

    Justiça procedimental e policiamento: legitimidade, escuta e respeito na ação policial

    Artigo recente da pesquisadora Tânia Pinc, pós-doutoranda do INCT–Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), destaca a importância da justiça procedimental como eixo central para o fortalecimento da legitimidade policial e da confiança pública nas instituições de segurança.

    O texto parte da constatação de que grande parte das interações entre polícia e cidadãos não envolve crimes ou violência, mas situações-limite nas quais as pessoas recorrem à polícia após esgotarem outras formas de solução. Nesse contexto, a forma como o atendimento é conduzido — com escuta, transparência, respeito e tratamento digno — torna-se tão relevante quanto o desfecho da ocorrência.

    A justiça procedimental prioriza processos equitativos e assegura que os envolvidos tenham voz, ampliando o repertório do policial de rua e favorecendo atitudes empáticas, especialmente em encontros nos quais o cidadão pode estar vivendo um dos piores dias de sua vida. Evidências internacionais indicam que esses princípios contribuem para aumentar a percepção de legitimidade e confiança na polícia.

    O artigo também anuncia uma iniciativa de pesquisa aplicada no Brasil: um treinamento em justiça procedimental voltado a policiais que atuam no atendimento de ocorrências via 190. Esse treinamento será realizado em Londrina, pelo Laboratório de Estudos sobre Governança da Segurança (LEGS), e incluirá a avaliação sistemática da percepção dos cidadãos sobre o tratamento recebido, além do desenvolvimento de novas métricas de segurança pública.

    O artigo “Da urgência à legitimação: como a justiça procedimental transforma o policiamento” foi publicado em janeiro de 2026, em jornal de circulação nacional.

  • Violência criminal, insegurança pública e os riscos à democracia brasileira

    Violência criminal, insegurança pública e os riscos à democracia brasileira

    A edição de 26 de novembro da newsletter Múltiplas Vozes, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), destacou uma reflexão crucial para o cenário político contemporâneo: a insegurança pública tornou-se um dos fatores centrais da erosão democrática no Brasil.

    Segundo os autores Cleber Lopes (Departamento de Ciências Sociais, UEL) e Caio Cardoso de Moraes (Doutorando em Ciência Política na UFMG), a crescente preocupação da população com a violência — que alcançou 38% como principal tema de preocupação social em novembro de 2025, segundo pesquisa Quaest — tem repercussões profundas no ambiente democrático. Episódios de grande repercussão, como a operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 122 mortes, ampliam a saliência do tema, mobilizando o debate político e gerando tensões entre diferentes setores do Legislativo.

    A literatura recente em ciência política reforça esse alerta. Estudos internacionais, como o de Chu e colegas, apontam que cidadãos, quando expostos a cenários de insegurança, tendem a admitir trocas perigosas entre segurança e pilares democráticos, como liberdades individuais, eleições livres e mecanismos de controle institucional. A democracia permanece valorizada, mas torna-se vulnerável quando o crime e a violência ocupam o centro das preocupações sociais.

    Pesquisas aplicadas ao contexto latino-americano seguem na mesma direção. Análises realizadas por Gabriela Ribeiro Cardoso e Julian Borba mostram que viver em países com altas taxas de homicídios — como o Brasil — intensifica os efeitos negativos da vitimização e do medo do crime sobre a confiança institucional e o apoio à democracia.

    Os autores destacam que, diante desse cenário, as forças democráticas precisam incorporar a segurança pública como tema estratégico, não apenas por sua importância para o bem-estar da população, mas como elemento indispensável para a preservação do regime democrático.

    O artigo completo, “Violência criminal e erosão democrática: por que as forças democráticas deveriam se preocupar com a segurança pública”, pode ser lido na edição de 26 de novembro da newsletter Múltiplas Vozes (FBSP).

  • Desaparecimentos, homicídios e crime organizado: uma análise sobre o avanço da violência invisível no Brasil

    Desaparecimentos, homicídios e crime organizado: uma análise sobre o avanço da violência invisível no Brasil

    A mais recente edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou um crescimento de 4,9% nos registros de desaparecimentos em 2024, totalizando 81.873 casos reportados às Polícias Civis — o equivalente a quatro desaparecimentos por hora. Esse aumento vem sendo observado desde 2020 e pode estar relacionado à atuação de facções criminosas, segundo análise de especialistas.

    Estudos citados pelos pesquisadores Cleber Lopes (Departamento de Ciências Sociais e coordenador do LEGS/UEL) e Danilo Azolini (Capitão da PMPR e doutorando em Sociologia pela UEL) apontam que organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, vêm desenvolvendo mecanismos cada vez mais sofisticados de ocultação de cadáveres, o que pode estar mascarando homicídios nas estatísticas oficiais.

    Dados recentes reforçam essa preocupação. Segundo o Sinesp, os registros de desaparecimentos cresceram 2,3% no primeiro semestre de 2025, e a pesquisa FBSP/Datafolha sobre vitimização e percepção de segurança mostra aumento na percepção de existência de “cemitérios clandestinos”, que passou de 8% em 2024 para 12% em 2025.

    Para os autores, compreender essa dinâmica é fundamental para o aprimoramento das políticas públicas de segurança. É necessário fortalecer protocolos investigativos que tratem desaparecimentos com indícios de envolvimento do crime organizado como possíveis homicídios com ocultação de cadáver, além de aperfeiçoar a legislação específica sobre o tema.

    O artigo completo, “Desaparecimentos, homicídios e crime organizado”, está disponível na edição de 6 de novembro da newsletter Múltiplas Vozes, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

  • Megaoperação no Rio de Janeiro e os novos rumos da segurança pública

    Uma megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, deixou mais de 60 mortos e se tornou a ação mais letal da história do estado. O episódio reacendeu o debate sobre a lógica das operações de segurança pública e a relação entre violência, política e ilegalismos no país.

    No podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, o sociólogo Daniel Hirata, coordenador do Geni/UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos), analisa o crescimento do Comando Vermelho, discute o que caracteriza uma operação policial eficiente e reflete sobre o uso político das ações de segurança. A repórter Bruna Fantti relata o que presenciou da operação em campo.

    Ouça a entrevista completa no Café da Manhã, da Folha de S.Paulo:
    Ouça aqui

  • Resultado final e convocação – Bolsa de IC (EDITAL Nº 10/2025)

    O LEGS/UEL está selecionando estudantes de graduação para participar do projeto “Representação Política e Legitimidade Democrática”.

    Estudantes selecionados:

    • Gustavo Nogueira Alves

    O estudante fica convocado para apresentar a documentação necessária à implementação da bolsa.

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  • Resultado da primeira fase da seleção de estudantes – Bolsa de IC (EDITAL Nº 10/2025)

    O LEGS/UEL está selecionando estudantes de graduação para participar do projeto “Representação Política e Legitimidade Democrática”.

    Estudantes aprovados para a próxima fase:

    • Gustavo Nogueira Alves

    Leia o edital completo aqui

  • Homologação das inscrições – Bolsa de IC (EDITAL Nº 10/2025)

    O LEGS/UEL está selecionando estudantes de graduação para participar do projeto “Representação Política e Legitimidade Democrática”.

    Estudantes aprovados para a próxima fase:

    • Gustavo Nogueira Alves

    Fica o estudante Gustavo Nogueira Alves convocado para a realização de entrevista no dia 13/10/2025, na sala 170 do Centro de Letras e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Londrina

    Leia o edital completo aqui

  • Oportunidade de bolsa de Iniciação Científica (IC)

    Oportunidade de bolsa de Iniciação Científica (IC)

    O LEGS/UEL está selecionando estudantes de graduação para participar do projeto “Representação Política e Legitimidade Democrática”. Será distribuída 01 bolsa de IC no valor de R$ 700,00

    Requisitos e perfil desejado

    • Leitura fluente em língua inglesa
    • Possuir boa capacidade de leitura, interpretação e síntese de textos, como artigos, capítulos de livros, livros e documentos.
    • Demonstrar habilidade em análise de dados, incluindo familiaridade com ferramentas básicas de análise de dados como Excel e RStúdio.
    • Interesse em metodologia experimental e disposição para estudar métodos quantitativos
    • Interesse nas temáticas da legitimidade política, das políticas públicas e do policiamento democrático

    Leia o edital aqui e saiba mais

  • A policialização da política: como a crescente influência de policiais redefine políticas públicas no Brasil

    A policialização da política: como a crescente influência de policiais redefine políticas públicas no Brasil

    A presença cada vez maior de policiais na política institucional e na formulação de políticas públicas está transformando o papel do Estado brasileiro. Essa tendência, chamada de “policialização da política”, ocorre tanto por meio de cargos eletivos quanto pela atuação de policiais como grupos de pressão na defesa de interesses corporativos e na propagação de soluções baseadas em disciplina, hierarquia e ordem.

    Em artigo publicado na newsletter Fonte Segura, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os pesquisadores Cleber Lopes (UEL/LEGS) e Amanda Caroline Bezerra de Melo (UEL/LEGS) analisam os impactos desse fenômeno, com destaque para o caso do Paraná. O estado se tornou referência pela adoção em larga escala dos Colégios Cívico-Militares (312 unidades, abrangendo 21% dos estudantes da rede estadual) e pelo Programa Escola Segura, ambos impulsionados pela Polícia Militar.

    Segundo os autores, quando a visão policial se torna predominante, problemas sociais complexos passam a ser tratados como questões de ordem e punição, restringindo o espaço para políticas mais plurais, democráticas e inovadoras. Essa proeminência pode gerar respostas limitadas e contraproducentes às necessidades da população.

    “Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego”, alertam os pesquisadores ao destacar os riscos da policialização da política para a democracia brasileira.

    Leia a publicação completa no site do FBSP:
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  • Preconceito e apoio à segurança privada: estudo revela como rejeição a grupos subalternos molda políticas de controle social na América Latina

    Preconceito e apoio à segurança privada: estudo revela como rejeição a grupos subalternos molda políticas de controle social na América Latina

    Pesquisa conduzida por Cleber Lopes (UEL/LEGS) e Caio Cardoso de Moraes (UFMG/LEGS) mostra que o apoio à segurança privada em sociedades latino-americanas marcadas pela desigualdade não pode ser explicado apenas pelo medo do crime ou pela ineficiência do Estado, mas também pela rejeição a grupos sociais subalternos e por valores excludentes.

    O estudo, publicado no The British Journal of Criminology, analisou as percepções de mais de 14 mil pessoas em nove países da América Latina. Entre os principais achados:

    • Quanto maior o preconceito contra grupos minoritários, maior a probabilidade de apoio à segurança privada;
    • Pessoas que rejeitam pobres e indígenas como vizinhos têm cerca de 39% mais chances de apoiar o uso de segurança privada;
    • No Brasil, o apoio ao setor está fortemente associado à rejeição a pessoas negras e à identificação com valores políticos conservadores.

    “O apoio à segurança privada precisa ser entendido também como expressão de valores sociais preconceituosos e excludentes”, destacam os pesquisadores.

    A análise foi divulgada na newsletter Fonte Segura, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e alerta que a expansão da segurança privada pode reproduzir desigualdades sociais e gerar riscos à democracia, caso não seja acompanhada de regulação e controle eficazes pelo Estado.

    Leia a publicação completa no site do FBSP:
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