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  • A policialização da política: como a crescente influência de policiais redefine políticas públicas no Brasil

    A policialização da política: como a crescente influência de policiais redefine políticas públicas no Brasil

    A presença cada vez maior de policiais na política institucional e na formulação de políticas públicas está transformando o papel do Estado brasileiro. Essa tendência, chamada de “policialização da política”, ocorre tanto por meio de cargos eletivos quanto pela atuação de policiais como grupos de pressão na defesa de interesses corporativos e na propagação de soluções baseadas em disciplina, hierarquia e ordem.

    Em artigo publicado na newsletter Fonte Segura, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os pesquisadores Cleber Lopes (UEL/LEGS) e Amanda Caroline Bezerra de Melo (UEL/LEGS) analisam os impactos desse fenômeno, com destaque para o caso do Paraná. O estado se tornou referência pela adoção em larga escala dos Colégios Cívico-Militares (312 unidades, abrangendo 21% dos estudantes da rede estadual) e pelo Programa Escola Segura, ambos impulsionados pela Polícia Militar.

    Segundo os autores, quando a visão policial se torna predominante, problemas sociais complexos passam a ser tratados como questões de ordem e punição, restringindo o espaço para políticas mais plurais, democráticas e inovadoras. Essa proeminência pode gerar respostas limitadas e contraproducentes às necessidades da população.

    “Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego”, alertam os pesquisadores ao destacar os riscos da policialização da política para a democracia brasileira.

    Leia a publicação completa no site do FBSP:
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  • Preconceito e apoio à segurança privada: estudo revela como rejeição a grupos subalternos molda políticas de controle social na América Latina

    Preconceito e apoio à segurança privada: estudo revela como rejeição a grupos subalternos molda políticas de controle social na América Latina

    Pesquisa conduzida por Cleber Lopes (UEL/LEGS) e Caio Cardoso de Moraes (UFMG/LEGS) mostra que o apoio à segurança privada em sociedades latino-americanas marcadas pela desigualdade não pode ser explicado apenas pelo medo do crime ou pela ineficiência do Estado, mas também pela rejeição a grupos sociais subalternos e por valores excludentes.

    O estudo, publicado no The British Journal of Criminology, analisou as percepções de mais de 14 mil pessoas em nove países da América Latina. Entre os principais achados:

    • Quanto maior o preconceito contra grupos minoritários, maior a probabilidade de apoio à segurança privada;
    • Pessoas que rejeitam pobres e indígenas como vizinhos têm cerca de 39% mais chances de apoiar o uso de segurança privada;
    • No Brasil, o apoio ao setor está fortemente associado à rejeição a pessoas negras e à identificação com valores políticos conservadores.

    “O apoio à segurança privada precisa ser entendido também como expressão de valores sociais preconceituosos e excludentes”, destacam os pesquisadores.

    A análise foi divulgada na newsletter Fonte Segura, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e alerta que a expansão da segurança privada pode reproduzir desigualdades sociais e gerar riscos à democracia, caso não seja acompanhada de regulação e controle eficazes pelo Estado.

    Leia a publicação completa no site do FBSP:
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  • Denúncia jornalística revela atuação de PM da ativa no comando de empresa privada de segurança em SP

    Denúncia jornalística revela atuação de PM da ativa no comando de empresa privada de segurança em SP

    Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil, assinada pela jornalista Jeniffer Mendonça, expôs que o subtenente Claudiano de Carvalho, da ativa da Polícia Militar de São Paulo, atua como gestor informal da Domain Premium Segurança Ltda., empresa privada com contratos em dezenas de condomínios e empresas no estado. A atuação contraria o regimento disciplinar da corporação, que proíbe policiais da ativa de exercerem funções administrativas em empresas de segurança privada, permitindo apenas a participação como cotistas.

    A investigação jornalística aponta diversos indícios do envolvimento direto do policial na gestão da empresa: publicações em redes sociais, registros em juntas comerciais, procurações jurídicas e até o uso de seu endereço residencial como sede operacional do grupo empresarial. O caso evidencia fragilidades nos mecanismos de fiscalização e regulamentação do setor.

    A matéria também conta com a análise do professor Cleber Lopes, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Governança da Segurança (LEGS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que comentou os impactos estruturais dessa prática:

    “O bico policial só se torna um problema para as organizações de segurança pública quando escândalos eclodem, quando situações de conflito de interesse se tornam muito evidentes”, afirma.

    A publicação traz à tona discussões importantes sobre a interface entre segurança pública e privada, e os limites éticos e legais da atuação de agentes do Estado no mercado da segurança.

    Leia a reportagem completa no site do The Intercept Brasil